Domingo, Maio 31

de 22 a 28

foram também dias de conversas importantes. descobrimos um jardim com veados ("cá os animais são os que se vêem nos desenhos animados!" diz a rita, que viu um ouriço-cacheiro), fizemos um churrasco em grousbeek com os polacos, os dois portugueses que chegaram entretanto - o pedro e a joana, fisioterapeutas lisboetas - e alguns holandeses, e andámos em duas rodas, ele com ar de miúdo.

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fomos a amesterdão, comprar os meus sapatinhos de princesa, ver a casa da anne frank e finalmente passear sem montes de gente, longe do centro.

fomos a dordrecht, encontrar o david que o meu pai não via há 32 anos e conhecer o milionário, o bobo, a néleke e o outro porreiraço, em casa de quem dormimos.

voltámos a casa, fazer malas e tudo o mais, e despedimo-nos de uns dias bem bons e um do outro, até (quase) já.

dia 21, último dia de pabo

segui com a inês-mel de volta a nijmegen, e ela e o pchamek juntaram-se para me convencerem a ir a amesterdão.
pois que fui, dois dias depois, com a inês, o pchamek, a laura brasca e o sérgio, conhecer o cris e ocupar-lhe a casa, sair onde sai quem lá vive, passear em jardins que não conhecia, e andar imenso imenso, visto que a casa era bastante longe do centro, já fora do nosso mapa.
é um antro de turismo, mas nós andámos enroladas nele, perdidas em conversas de comadres.




voltei a tempo da entrega de certificados e do almoço de último dia de aulas juntos.
almoços em que cada um leva qualquer coisa do seu país é que está a dar.. e viva o empadão de carne picada, que se faz rapidinho e é bem gabado pelos estrángeiros.
fizemos (os três tugas, as duas italianas, os três polacos, o jaron-holandês e o rrrroaquin-espanhol) uma apresentação de 20 minutos em que gozámos com meio mundo, e vimos as 3 outras apresentações.
está tudo contente, por ter cá estado.
et moi aussi.

Sábado, Maio 30

parte III (e última) - deixo um cheirinho

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parte II - o acampamento


nós as três, o césar e os três franceses rodeados de pássaros e de vacas (que mugem mais grave que em portugal!) e os dias, cheios de calma, encheram-se de cores vivas. a casa-de-banho acabou por fazer furor, bem confortável e com vista para o verde.



churrascos, fogueirinha á noite e uma tenda para duas pessoas agarradinhas onde coubemos as três e os malões. foram dias cheios, cheios, cheios.

Sexta-feira, Maio 29

parte I

foi um longo caminho, até chegar, já de manhã, mas conheci gente nova, que se passeia pelas ruas de eindhoven e que pára para fazer companhia.


(hum hum.. também há azeiteiros em eindhoven.)

passeiei sozinha, de mapa na mão e música nos ouvidos, de costas carregadas mas com os olhos bem abertos. cheguei a uma praça gigante, tudo muito amplo, e o sol batia quentinho.
tirei os phones, e dormi duas horinhas embalada pela música do francês.
(é bom, passear sozinha.)
mas bom, bom, foi a inês, que chegou ao fim da tarde, e corremos para villeneuve d'ascq, embrulhadas uma na outra, as duas de costas carregadas mas com os olhos bem abertos, de dentolas separadas mas bem juntinhas.

o raphael é uma marioneta, e os franceses usavam todos suspensórios nas calças, subidas até acima do umbigo.
umas boinas, alguns caracóis, francês, francês, francês, a casa do olivier onde se passou o roubezbal, pés-de-dança muitos e aos pares, e a casa de cartão.




chegou a noite, e chegou a inês - sim, somos três: inês, teresa, inês.

de 10 a 13




(pas mal, hum?)

Quarta-feira, Maio 27

extra improvisado á última

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(nós as três e o pchamek, contentes da vida)

Terça-feira, Maio 19

dia 10, antes do resto

depois da nossa apresentação da música tradicional portuguesa o professor de música nunca mais nos largou. ía haver um concerto para quem quisesse tocar e cantar, e não nos deu descanso até escrevermos lá o nosso nome. á boa maneira portuguesa (e italiana também), deixámos tudo para duas horas antes do concerto. á boa maneira portuguesa (e italiana e polacas também, descobriu ela e o pchamek que acabou por se juntar a nós) correu tudo melhor do que o que estávamos á espera.


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(eu, a rita, a sarah davoli e o sérgio)



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(eu, a rita e a sarah)

de três a seis

a mãe chegou no dia certo.
coçou-me as costas, limpou-me o sal dos olhos e pôs-me quentinha outra vez.
comprámos uma bicicleta nova e fomos passear, e sobretudo, conversámos até não mais.
estava a precisar de uma cabeça de gente grande para descomplicar a minha, ainda a caminho. e estávamos as duas com muitas saudades.
fizemos um churrasco no terraço (que é o topo do prédio do lado), cozinhei muito enquanto ela ficava a ver as danças da carly, do rrrossé, da marta, da maud e da julie - quem diria que ela lhes acharia piada.. - e tirámos poucas fotografias.
mas quando ela foi embora, estávamos as duas bem contentes.

Segunda-feira, Maio 18

de vinte e três a três de abril


andámos a contar os dias (pelo menos) desde que “já só faltam quarenta e seis”.
aos poucos fui ganhando a minha vida e os meus cantos por cá, longe do meu porto.
há dias bem frios, e bem chuvosos, em que a bicicleta custa a cada pedalada, e ele chegou num deles, quando eu me tinha já esquecido do sabor dos beijos.
finalmente juntos, fizemos o sol chegar aos pouquinhos, com bom tempo e com as primeiras flores.
preparámos e demos a segunda aula aos miúdos, que se apaixonaram por ele, junto com o roelof que lhe chama serdgino. no fim da aula tocavam e dançavam o malhão.
toda a gente gosta dele. (e eu também!)


conheceu o pessoal da minha turma, fomos jantar fora, passeámos muito, mesmo sem bicicletas, tentámos arranjá-las sem sucesso, andei a tirar fotografias às 15 coisas que caracterizam a minha Holanda para mandar ao Ben (o responsável pelo gabinete internacional), fizemos uma apresentação sobre a música portuguesa e cantámos o milho verde a duas vozes, com o serginho nas congas, e apresentei o Harry, que conheci com as três papoilas tolinhas.
custou-me vê-lo naquele comboio triste, que o levou para longe.

Terça-feira, Maio 12

teaching practice

aqui sim, a educação funciona.
os meus professores são impecáveis, o meu curso é prático, e tenho uma turma com quem trabalhei, com a ajuda do Roelof, o professor dos miúdos.



eu, que sempre me achei preparada para enfrentar feras pequenas, deparei me com uma turma de 17 miúdos com entre 8 e 10 anos, bem comportadinhos e com vontade de aprender. são eles que decidem se trabalham sozinhos ou em grupo, e onde põem a sua secretária, trabalhar de pantufas dentro da sala e só o papel do professor é normalmente mais perto de guiá-los do que de lhes dizer tudo o que têm de saber e de aprender.
pequeninos, apesar de tudo, vão aprendendo mais por si, e parecem me bem mais preparados para o que estão a fazer do que o que eu estou habituada.
o que é tudo muito bonito, mas mal entrei na sala percebi o grande problema de dar aulas da Holanda e de não se saber falar holandês: os miúdos não falam nem escrevem nada que eu perceba, e vice-versa.





ora bem, e eu, que sempre me achei preparada para enfrentar feras pequenas e que, sorte a minha!, me deparei com uma turma de 17 miúdos com entre 8 e 10 anos, bem comportadinhos e com vontade de aprender, não tinha via maneira de lhes dizer seja o que fosse.
tentei falar devagarinho, ou curto, com gestos(?), mas eles fugiam de mim, em manadas de 6 e 7.

pareceu-me que a música seria a melhor maneira de nos entendermos, portanto comecei a trabalhar ritmos e o corpo feito instrumento, que descobri que eles não trabalham cá.
as pernas tremiam-me, mas as palmas eram ao tempo, e eles tinham um ar contente.
saí eu também contente, com uma ideia mais real do que podia ou não fazer com eles, e começámos a construír uma linguagem nossa, em que nos entendemos finalmente.
o roelof deixa-me tratar de tudo como eu quiser.
tem-me debaixo de olho para ver se preciso de ajuda de holandês ou de dicas de gente grande.
tem uma barriga grande e ar-a-fugir-para-avô, já disse?

Sábado, Março 21

os três mosqueteiros


de vinte e seis a três-já-de-março

já há muito tempo que não tinhamos tempo para conversas sem fim.

descobrimos um concerto de naragonia e embrun em enschede, uma cidade aqui perto.
apanhámos as três - eu, a rita e a joana - o comboio e corremos para lá de saias e botas. ainda não tinha sapatinhos.
o concertos foram altamente, encontrei montes de gente com cara de gente que conhecia, dançámos imenso, e as horas foram passando até perdermos o último comboio.

missão:
quem tem cara de ter um chão confortável e seguro para três donzelas que não sabem ver horários de comboios decentemente?

o antal - que descobrimos depois que morava em nijmegen, 4 andares abaixo do nosso - e o amigo, eram dois pseudo-metaleiros que tinham descoberto os bailes no dia anterior. estávam apaixonados por aquilo, tinham vindo re-experimentar e iam dormir a casa de um amigo que lá morava.
o jasper tinha um quarto-cozinha-sala-de-estar com varanda e uma casa-de-banho em anexo. fomos buscar um colchão a casa do irmão que vive perto dele, fizeram questão de dormir mal e porcamente no chão e no sofá onde não cabiam, para dormirmos que nem princesas, numa cama de casal, com edredon de penas e almofadas altas. acordámos com ovos estrelados e café, e voltámos com o antal para casa quando o sol estava lá alto.



foi bom para matar saudades.
a joana foi-se embora no meu primeiro dia de teaching practice, e soube a pouco.

não há nada como fazer tudo com tempo.

achámos por bem, no entanto, sentar os rabos-estoirados nos bancos da estação, enquanto nao chega o comboio.
"e se agora nos apercebessemos que já era hora e tivessemos de correr imenso? pfff.. era impossível."
pois bem, não há é nada como fazer o impossível.
o comboio arrancou, apesar dos gritos, com elas as três lá dentro a caminho de casa, sem tempo para despedidas.








deixaram as bicicletas e saudades aos molhos.

amesterdão - em casa da sofia

o tempo que demoramos a encontrar a casa, montadas nas bicicletas foi suficiente para percebermos onde estávamos.
o mundo corre muito mais rápido, as bicicletas deslizam muito mais rápido, e os trams, para quem não tem travões, deixam o coração a bater muito mais rápido.
a casa era de revista e os jantares sempre a melhorar.




"vamos para o guiness!"




dicas úteis:
as noites acabam às 2 e meia, três.
para quem tem bichos carpinteiros e/ou gosta de aproveitar a noite, a solução é conhecer gente nova e fazer a festa.

fomos a um bar onde nos arranjaram um mapa porreiro e nos encaminharam os dias, conhecemos, por acaso, o Jazz café Alto das noites da maria (com o Ali junto, que nos ofereceu uma boina e um cachecole acabadinhos de ser esquecidos), vimos o "Vicky Cristina Barcelona" do Woody Allen, conhecemos o umberto e o seu amigo pedinte mas com dedinhos que tocam beatles numa casa-barco com piano, conhecemos o terry que tomou conta de nós e que descobrimos quando voltámos quem era, quando não era nosso avôzinho - http://www.youtube.com/watch?v=GSAb4QCLZnY.

passeámos muito, sempre de bicicletas, cedemos ao clichê e fomos à coffeeshop The doors, programámos horários que não cumprimos, programámos museus onde não fomos, passeámos de barco guiadas em 4 línguas.




fui buscar a joana, que chegava de Paris, e seguimos juntas de volta a casa.



estava na hora das três marias se pirarem.

a caminho - hora da sesta




a mariana não dorme.

maastricht - em casa do gero

a casa esteve por nossa conta, practicamente o tempo todo.




os supermercados, fora o albert heijn (o mais caro deles todos) da estação de comboios, estiveram fechados, portanto comemos pior, improvisámos jantares, e acertámos em cheio, para quem vinha atrás do carnaval holandês. ele estava em todo o lado.
desde velhotas nos seus 70 mascaradas de pirata, índio, dançarina de flamenco, até aos putos mascarados de ladroes, de cowboys, de bonecas, de princesas, passando por todos os outros, mais ou menos espalhafatosos, mas todos levados ao pormenor.
vacas, anjos, diabos, ginecologistas, macacos, pinguins(! pinguins! pinguins!), mais uma data de fatiotas sem nome mas completas, e nós as 5, de vestidinhos-às-flores.
o gero - irmão da rita - fugiu ao carnaval. pois ele ocupou-lhe a porta de casa com uma banca para cervejas e mais um montão de gente, com música azeiteira sempre aos berros (e que toda a gente conhece e canta, num estado de embriaguez colectiva e carnavalesca), com bandas que percorrem a cidade, com desfiles pelas praças, e com as ruas ocupadas das 8h da às 2 da matina, e limpas durante o resto da madrugada.



as ruas reenchem, e enquanto dura o sol e sítios abertos, junta-se gente e lixo, como se não houvesse amanhã. quando o sol nasce está tudo limpo, como se não tivesse havido ontem.
a rita encontrou vários objectos de extrema importância e utilidade, eu, a mariana e a inês perdemos outras, e a rita galheteiro.


notas de boas viajantes:
não há nada como conseguir tudo à pala.

de dezoito a vint-i-sete

chegaram a casa com três bicicletas compradas em segunda mão que já ficam para os que vêm.
jantámos sempre bem, fomos ao chocolate quente, o chuveiro teve uso como nunca em outra altura. iam nos levar sandochas à faculdade na nossa hora de almoço, fomos ao dollars, conhecemos o harry, encontrámos as batatas mais baratas, comprámos vinho, e decidimos ir viajar.
vimos viagens, combinámos mais ou menos vidas, fizemos as malas, pegámos nas biclas, e pusemo nos a andar.

Sexta-feira, Março 6

pediram-me que apresentasse o meu passado, presente e futuro.

"visto que o meu presente estamos todos a construi-lo juntos e que o meu futuro não passa de previsões, o passado é grande parte da minha apresentação.
como conta-lo nao teria metade da piada, e como o tempo não ia chegar para tudo, resolvi fazer um vídeo."



video

with a little help from my friends

What would you think if I sang out of tune
Would you stand up and walk out on me?
Lend me your ears and I'll sing you a song
And I'll try not to sing out of key
Oh I get by with a little help from my friends
Mm I get high with a little help from my friends
Mm going to try with a little help from my friends

What do I do when my love is away?
(Does it worry you to be alone?)
How do I feel by the end of the day?
(Are you sad because you're on your own?)
No I get by with a little help from my friends
Mm I get high with a little help from my friends
Mm going to try with a little help from my friends

(Do you need anybody?)
I need somebody to love
(Could it be anybody?)
I want somebody to love

(Would you believe in a love at first sight?)
Yes I'm certain that it happens all the time
(What do you see when you turn out the light?)
I can't tell you, but I know it's mine
Oh I get by with a little help from my friends
Mm I get high with a little help from my friends
Oh I'm going to try with a little help from my friends

(Do you need anybody?)
I just need somebody to love
(Could it be anybody?)
I want somebody to love

Oh I get by with a little help from my friends
Mm going to try with a little help from my friends
Oh I get high with a little help from my friends
Yes I get by with a little help from my friends
With a little help from my friends

The Beatles

Sexta-feira, Fevereiro 27

de quinze a diz-oito

O ratinho foi ao baile
De cartola e moustachão
Sapato de bico fino
e de couro o casacão

Encontrou a tugazinha
Que'o esperava na estação
O ratinho aproximou-se
e mergulharam de chapão.

passeámos imenso pelo centro, e de lá para o quentinho de casa.
dei descanso á bicicleta e ás pernas, e andei de carro, abrigada da chuva e do vento que nao nos largaram.
perdemo-nos pela cidade, encontrámos caminhos novos e jardins fixes. o chocolate quente fez-nos companhia muita, fomos a uma jam session meia atrofiada de jazz, conheceu o pessoal fixe de cá, e fixou até bem mais tarde para dar um beijinho-surpresa á rita, que chegava a 18.

saltei-lhe para o colo, e ela com ar de muitas horas em transportes.
"tenho uma surpresa para ti!"
e apareceu o didi.
ela tola.
"mas eu também tenho uma supresa para ti!"
e sai a minha irmã e a mariana da cabine telefonica.



ainda lanchámos todos juntos e todos histéricos, ainda nos trouxe as malas a casa, ainda dançámos um bocadinho, laranjas, para aproveitar o por do sol que entra pela janela do meu quarto dentro.

Pegou na sua carroça
e arrancou de sorrizão.

Domingo, Fevereiro 22

relatos

estou a viver em Nijmegen.

Teresa Melo Campos
Vossendijk 141
(floor 8, room 9)
6534 TM Nijmegen
The Netherlands


sabe bem viver no meio de tanta coisa diferente. calhei no andar em que essa diferença se nota mais.
tenho um quartinho muito lindo, e sabe bem ser agora mae e pai de mim.
andei duas semanas sem bicicleta.
O Sérgio esteve a morar em "Grusbek" (como diria uma tuga que nao sabe como raio se pode escrever isso), com os três polacos: a Mónica, a Ana(na) muito chanfradona daquela cabeça e o Pchamek (a quem chamei Dvorjak, Vodzek e Pchemak, e agora chamo pachacha. ele sorri-me com o seu ar mais doce. mas na realidade, o seu verdadeiro nome diz-se aproximadamente Pchámesswav). O pessoal mais fixe é o mais velho. O pchamek é um fixe. Chama-me Teresa Sóraya, é um cavalheiro e um fortalhaço, que me andou a carregar na parte de tras da bicicleta durante essas duas semanas.
No dia em que combinei comigo ir á estaçao arranjar uma bicicleta para mim, convenci-o a vir comigo, e convenci o Sérgio e as duas italianas (também mais velhas e muito porreiras, uma delas muito linda)a virem connosco. Encontrei-a encostada a um canto, verde, pequenina. Foi a mais barata, e foi amor á primeira vista. Até o homem da loja que fala em inglês contrariadissimo, e que tem umas trombas nada agradáveis se derreteu, comigo feita cachopa "ohh.. i'm in love. she's beatifull, isn't she?" "i bet she is.. she's already a "she""?. tem rodas fininhas e travoes nos pés.
as pernas começam a ganhar pedalada para a vida em duas rodas que agora tenho cá.
as duas hungaras também sao muito queridas. muito tímidas, muito doces. mas nao têm aulas comigo.
a Rita é minha vizinha da frente.
os nossos dois quartos tem sido normalmente um só. Sao muito quentinhos, e já tem as paredes cheias e quentes.
o chuveiro é maravilhoso, e as retretes e a cozinha partilhadas.
as aulas parecem mais leves, e os professores sao todos altamente.
estou contente. ainda me sinto completamente turista, mas sabe bem.
sou a pessoa que fala mais ao telefone la no meu andar, e sou ainda mais contente por isso.
tenho saudades vossas, mas estou tao contente.

Sábado, Fevereiro 7

p.s

o pedro, a maria e o serginho foram-me levar ao aeroporto. os três da vida-airada.
"se isto fosse um filme - pensava ele do alto das suas pernas, de caracóis pela cabeça fora enquanto a via atravessar as portas para um cheirinho a vida nova - ele estaria a tocar." sacou do seu glockenspiel e pôs se a tocar o à proa do Zeca até ela desaparecer nas núvens.
o meu cachopo sabe a chocolate.

"A minha cachopa sabe a chocolate
Não sei de mulher que melhor me trate
Seus olhos dão mais luz que uma janela
Trança amarela traz
A balançar cá p'ró rapaz.

A minha cachopa sabe a chocolate
Só a dormir é que diz disparate
Falta ao respeito com uma gargalhada
Fala de nada e tudo
Deixa-me embasbacado e mudo.

A minha cachopa sabe a chocolate
Roubou-me um beijo e eu paguei o resgate
Assaltou casas nos meus seis sentidos
Dois foragidos fomos
Desta certeza agora somos.

Anda cachopa
Puxa o corpo p'ró mar
Anda cachopa
Puxa a filha p'ró ar.

A minha cachopa sabe a chocolate
Quem não a conhece amor deste quilate
Não faz ideia da vida que dá
Ao deus dará viveu
Perdido no que não é seu.

Anda cachopa
Puxa o corpo p'ró mar
Anda cachopa
Puxa a filha p'ró ar."

Sérgio Godinho
à queima roupa

Sexta-feira, Fevereiro 6

Ó Landa!

Á medida que o aviao levantava, Portugal ficava mais e mais pequenino.
Quando se desce das núvens, a caminho da Holanda, mais e mais perto, os campos nao sao mais os mesmos.


Escher

(mas sao bem bonitos.)

cambalhota


Maurits Cornelis Escher

Sexta-feira, Janeiro 16

conversa ao balcão do café

"-puxa, está um frio lá fora..
-mas é só lá fora, não é geral."

Sexta-feira, Novembro 14

foge, foge bandido


"somos a fachada de uma coisa morta
e a vida como que a bater à nossa porta.
quando formos velhos (se um dia formos velhos)
quem irá querer saber quem tinha razão?
de olhos na falésia espera pelo vento,
ele dá-te a direcção.

ninguém é quem queria ser, eu queria ser
ninguém é quem queria ser, eu queria ser ninguém.

a idade é oca e não pode ser motivo
estás a ver o mundo feito um velho arquivo.
eu caminho e canto pela estrada fora,
e o que era mentira pode ser verdade agora.
se o cifrão sustenta a química da vida,
porque tens ainda medo de morrer?
faltará dinheiro, faltará cultura,
faltará procura dentro do teu ser.

ninguém é quem queria ser, eu queria ser
ninguém é quem queria ser, eu queria ser ninguém.

diz-me me se ainda esperas encontrar o sentido
mesmo sendo avesso a vê-lo em ti vestido.
não tens de olhar sem gosto, nem de gostar sem ver,
ninguém é quem queria ser.

ninguém é quem queria ser, eu queria ser
ninguém é quem queria ser,eu queria ser ninguém."

manel cruz

Segunda-feira, Março 17

madrugada de 9 de março de 2 mil e 8


abro-te as mãos e o peito, visto-me a preceito, e peço-te que me engravides. não falo de cuidares da minha barriga como se fosse tua, só peço que a enchas com alguém que tenha algum traço teu.
não preciso que fales, nem que me olhes.
faz me só um filho.
(não me resististe. nunca me resististe.)


não quero café..
vim só guardar-te eternamente, mas já estou de saída.

Segunda-feira, Março 10

viagem na palma da mão

Para quem não sabe, e mesmo para quem já soube, acabei as frequências, pus as malas ás costas, e fui com a Inês-mel viajar.
Barcelona, onde nos sentimos em casa.
Paris, muito grande, muito rápido, muito bonito.
Poitiers, perfeito. do nosso tamanho, peso, e cor.
Orleans, caseiro, quentinho, e de pés assentes no chão.
De volta a Barcelona para perceber e decidir o que seria estar de volta.
Porto, cheira a casa.
Continuo a ouvir baterem-me ao de leve na janela, os ares de lá, carregados de novo, de gosto, de música e de solto. Levanto-me da cama com a manhã, finalmente sem grande esforço, e aproveito-os para ser, a tempo inteiro.

Sexta-feira, Março 7

Ainda agora aqui chegado
meu cavalo já cansado
trago o peito enamorado
e a armadura em desalinho
minha espada, eu embainho
dai-me carne e dai-me vinho
sou guerreiro por quimera
era uma vez um rapaz
é vê-lo avançar
entre a guerra e a paz

Dai-me carne e dai-me vinho
dai-me uma mesa de pinho
estendei toalha de linho
onde estenderei os dedos
lede neles os enredos
das conquistas, dos degredos
assim eu contar pudera
era uma vez um rapaz
é vê-lo avançar
entre a guerra e a paz

Guerreiros são só pontos no horizonte
a monte
a monte
anda o guerreiro sem parar
a paz foi tudo o que ele foi buscar
guerra e paz
a par e passo
irmãs são
guerra e paz
a par e passo
vão

De cada vez que me conto
sei que me acrescento um ponto
um cavalo novo monto
e uma donzela arrebato
despedido do recato
vou de calma ao desacato
vou do pardal à pantera
era uma vez um rapaz
é vê-lo avançar
entre a guerra e a paz

Vou da calma ao desacato
de masmorras me resgato
colorido é o meu retrato
preto e branco meu caixilho
o que fazes tu, meu filho
outras guitarras dedilho
sou trovador por quimera
era uma vez um rapaz
é vê-lo avançar
entre a guerra e a paz

E de meandro em meandro
vou-me circunnavegando
sob as estrelas buscando
o outro lado da busca
quase sempre o amor me ofusca
de uma forma doce e brusca
assim eu amar soubera
era uma vez um rapaz
é vê-lo avançar
entre a guerra e a paz

Retomado à vida o gosto
meu cavalo recomposto
no cabelo um fogo posto
novos fogos atravesso
desta forma me despeço
do fracasso e do sucesso
ladrões de quem os venera
era uma vez um rapaz
é vê-lo avançar
entre a guerra e a paz

Desta forma me despeço
a viagem recomeço
e se a casa não regresso
é que outras casas me abrigam
outros braços lá me amigam
minhas brigas desfatigam
como a luz na Primavera
era uma vez um rapaz
é vê-lo avançar
entre a guerra e a paz

sérgio godinho

Terça-feira, Março 4

é verdade, como disseste, que ando tão bem porque nunca tive tanta gente que gostasse tanto de mim.
o que não disseste, foi que nunca gostei tanto, de tanta gente.

Sexta-feira, Janeiro 18

hibernei

Anyway, I can try
anything it's the same circle
that leads to nowhere and I'm tired now.

Anyway, I've lost my face,
My dignity, my look,
Everything is gone
And I'm tired now.

But don't be scared,
I found a good job and I go to work
every day on my old bicycle you loved.

I am pilling up some unread books under my bed
and I really think I'll never read again.

No concentration,
Just a white disorder
everywhere around me,
you know I'm so tired now.

But don't worry
I often go to dinners and parties
with some old friends who care for me,
Take me back home and stay.

Monochrome floors, monochrome walls,
Only absence near me,
Nothing but silence around me.
Monochrome flat, monochrome life,
Only absence near me,
Nothing but silence around me.

Sometimes I search an event
Or something to remind,
But I've really got nothing in mind.

Sometimes I open the windows
And listen people walking in the down streets.
There is a life out there.

But don't be scared,
I found a good job and I go to work
Every day on my old bicycle you loved.

Anyway, I can try
Anything it's the same circle
That leads to nowhere and I'm tired now.

Anyway, I've lost my face,
My dignity, my look,
Everything is gone
And I'm tired now.

But don't worry
I often go to dinners and parties
With some old friends who care for me,
Take me back home and stay.

Monochrome floors, monochrome walls,
Only absence near me,
Nothing but silence around me.

yann tiersen

Terça-feira, Novembro 13

desafio página 161



"O velho até podia estar a gostar do que via, mas a verdade é que não revelava o menor sinal de prazer".
O livro das ilusões, Paul Auster


Este excerto é a resposta a um desafio lançado, cujas regras são:

1. Pegar no livro mais próximo
2. Abri-lo na página 161
3. Procurar a 5ª frase completa
4. Colocar a frase no blog
5. Não vale procurar o melhor livro que têm, usem o mais próximo
6. Passar o desafio a cinco pessoas.


finalmente tenho um livro á mão.
agora só me falta pensar quem desafio. :)

cap, pas cap?

Abre os teus armários
Eu estou a te esperar
para ver deitar o sol
sob os teus braços castos
Cobre a culpa vã
até amanhã eu vou ficar
e fazer do teu sorriso um abrigo

Canta que é no canto que eu vou chegar
Canta o teu encanto que é pra me encanta
Canta para mim
qualquer coisa assim sobre você
Que explique a minha paz
Tristeza nunca mais

Vale o meu pranto
que esse canto em solidão
Nessa espera o mundo gira em linhas tortas
Abre essa janela
primavera quer entrar
pra fazer da nossa voz uma só nota.

Canto que é de canto que eu vou chegar
Canto e toco um tanto que é pra te encantar
Canto para mim qualquer coisa assim sobre você
que explique a minha paz
Tristeza nunca mais...

(hey, little bird, shall we dance?)

Segunda-feira, Outubro 22

dias de sol (segunda e última)

É em queimada que continua a nossa viagem. Gosto tanto de queimada.
Há sempre gente nova que vem experimentar, há sempre gente velha, que já sabe para onde vai. Todos os anos é diferente. Este ano não foi o Pedro, portanto foi altura de sermos nós os pilares do pai. Tem piada ver o tempo passar por nós (e queimada como pano de fundo, desde que nascemos).
Ainda antes de lá chegarmos conhecemos o maxime e o simon, que acabaram por trazer o (mon) simon e ir passar a noite e pequeno-almoço tardio connosco, rodeados de verde.
O pai foi doce, e juntos mostramos lhes um bocado do que é queimada. Tocavam e cantavam, e o tempo passou rápido demais, quando devia ter passado em pezinhos-de-lã.
Acabámos todos na eira a cantarolar ao som do cavaquinho e do acordeon, aquecidos pelo “é bom estar cá” que não foi dito.
O tempo passou e passou, e eu á conversa com ele. Encheu me a barriga. Se comecei o meu ano de vida nova cheia de vontade de o começar, devo-o a ele. Era professor de música de putos entre os 3 e os 12, e tinha cara de nascer-de-dia e mãos quentes. Tinha mil planos de vida e mil histórias guardadas nos cabelos compridos, e um gosto contagiante pelo que escolheu fazer, cravado nos olhos claros.
Gostava de o voltar a ver daqui a uns anos, e saber se sempre fomos o que queríamos ser.
Depois deles a Maga, a Cata, o Bitó, a Maria, a Rita, o Gustavo, a Tita, o Gonçalo, o Pilas, o João, o Óscar, a Joana, a Rosa, a Inês, e espero que não falte ninguém, vieram aquecer nos (e aquecer se) também.
Os dias passam calmos á nossa volta, e nada calmos cá por dentro.
Fizemos videoclips, tocámos uns com os outros cada um como podia, tivemos conversas importantes, chorámos ao colo uns dos outros, rimos ao colo uns dos outros, o pai fez anos, fizemos todos anos com ele, vimos a Mónica Sintra, andámos no “V”, gamámos gomas para fazermos uma ceia como pedia a noite, comi farturas, cortámos o cabelo á Maria, andámos á boleia para manter a tradição, e o resto fez parte do passar natural dos dias.

Eu, Rita e Inezes. As 4, sentadas á mesa, decidimos que era Aveiro, e acordeon, flauta de bisel, jambé, beija-mim, missangas e bujigangas, swings e malabares. Fizemos as malas e uma noitada para os preparos, e apanhámos o comboio. “Gastamos o mínimo de dinheiro possível a sobreviver, e tudo o que ganharmos guardamos até ser gasto no combinado”.
A Bella arranjou nos casa e com ela o to(u)ni, e a outra Isabel, e boa onda que nos fez sentir em casa, arranjámos comida barata no supermercado (tarefa facilitada pela Rita e pelo seu jimbé), arranjámos bom posto em frente á confeitaria com os melhores ovos moles de lá (e tivemos direito a mimos deles, que gostaram de nós e pagavam a companhia em ovos moles e bombons), tocámos e tocámos e tocámos, e foi bom ver nos. juntámos mais dinheiro do que o que qualquer uma de nós podia estar á espera, encontrámos o Douglas e acabámos por não lhe conseguir dar os espinafres que lhe ficaram prometidos, não tomámos banho, não dormimos muito, e curtimos de carago.
Não tínhamos combinado direito quando voltávamos, mas também não foi preciso. A Maria ligou, e decidimos que estava na hora.
Preparámos-lhe o dia de que ela precisava. Fechamo-nos em casa, sem relógios e sem pressas, e percorremos a casa com mimos em cada canto que encheram o dia até cairmos para o lado de cansaço e barriga cheia. Porque de facto, estamos cá umas para as outras.

(Tremiam-me os joelhos. Chegou, sorriu-me, dei-lhe um beijo, dei-lhe a mão, e mostrei-lhe o meu porto.)

Entretanto a Maria ia para a Holanda. Fizemos lhe um kit-de-papoila-viajante, dos que já tínhamos feito para a Tita quando ela foi, enchemos lhe a casa (nós e outros), e foi bom ver tanta gente a gostar dela.


Avante camarada, avante!
Chega-se, monta-se tenda sempre no mesmo sítio, e não se sabe como começa de facto.
Este ano estávamos mais do que estoiradas. Deitámo nos na relva, e esperámos que começasse por nós. Acordámos com ele a começar ao de leve. Caras conhecidas, junta-se gente, as primeiras flautas para acordar a música que só se ouve aqui e ali no avante, e pronto. Estava feito.
A partir daí os dias não têm relógios, não há “temos de”, estamos rodeados de gente em todo o lado, e acho que acabamos por não fazer nada de especial da melhor maneira do mundo. Apresentámo(no)s (a)o didi, reencontrámos gente e mais gente (desde expozianos – que saudades, sócia!- ao Zé Francisco), conhecemos o Mathieu e os irmões unos (Bruno e Nuno), ela conheceu o Nuno e o Nuno conheceu-nos, Saint-Claire, carvalhesas a torto e a direito, algumas que ficam para a história (como a primeira do didi, a das bandeiras no ar e espírito nacionalista no peito, e a que acabou com reunião em que decidimos que nos separávamos ali, e só nos reencontrávamos á porta, sem grandes paragens e com relatos de meia hora de avante só de cada um de nós), vontade é ávontade para passar dias e dias de pijama, tripadelas, e outras que tais. “vamos de costas. Do palco principal á porta da tenda”. A Leonor levou-nos até á porta do recinto, de lá á porta do acampamento levou-nos um simpático e incrédulo com a combinação de olhos muito azuis e cabelo loiro (right, right.. stop! Baby car.. (i’m sorry..), straight, straight..), e depois de lá á tenda choveram ajudas de vizinhos que alinharam na parvoeira. Comi daquelas maças caramelizadas, e uvas e morangos, mais merdas que adormecem o estômago, e comi palavras, e vi o Tito Paris, e perdemos telemóveis, e EPs, e cabeças e braços e corações e concertos, e perdemo-nos umas das outras para nos voltarmos a encontrar ao virar da esquina, e dei novamente bom uso aos meus óculos de sol.
E pronto. Como não fazemos nada de especial, e os dias correm naturalmente sobre rodas, não se contam, vivem se de pantufas.

Apanhámos o barco, cada um mais porco que outro, e mais habituado a essa porcalhice que o terceiro. Resolvemos que não era ali, á porta do barco que a viagem acabava. Resolvemos gamar uns pêssegos e maçãs para um lanchinho, e rebolámos até ao Adamastor onde se juntaram outras flautas aos caracóis, onde vi o Max bem mais contente e menos perdido, onde me despedi de Lisboa sem dizer a ninguém. Sem grandes palavras (porque depois de vivermos tanto tempo uns com os outros não é preciso mais do que dois ou três grunhidos para sabermos que “foi bom, vamos ter saudades, é bom descobrirmo-nos e termos vivido o que vivemos, cada um á sua maneira” despedimo-nos.
Uns dos outros, e do Verão, que cá anda todos os anos, de hormonas aos saltos e mochila ás costas.

dias de sol (primeira parte)

Andei a aproveitar tudo ao máximo, e deixei o caderno e o lápis de lado. Agora já passou tempo, e as férias já não são no papel o que foram no corpo e arredores. De qualquer forma não deixo de vos contar o que foram, agora que as amadureci na cabeça.


Começaram com o fim do curso de canto, com óculos de sol, e com uma semana de férias por cá pelo porto, com a Inês Melo e outra gente que faz os meus dias.
Conheci o Geremy (que me contou a história do pipo martino e da cadeira ciumenta)e o Samuel (de quem não vou falar e com quem pouco falei, mas que ficou para a história) e o Max de pés descalços e olhos meigos e sem ninho que reencontrei no fim das férias no adamastor, molhei os pés no lago dos leões, os ciganões e a marta que cantaram conosco e para nós, o medo, o Óscar (com o mundo no bolso, caderninhos-de-me-fazer-perder-a-cabeça na mochila, e qualquer coisa nos olhos e nas mões que talvez um dia perceba o que é, mas que o faz dar e dar e dar).

Ela: agora estava a imaginar que a nossa vida tinha mudado completamente de ontem para hoje. Esta seria a conversa mais importante das nossas vidas.
Ele: tive 3 filhos: dois rapazes e uma rapariga. O mais velho tem 18, o segundo 16 e a piquena tem 13.
Ela: tenho tanta coisa para te contar! Tirei o curso, arranjei emprego e trabalho numa escola no Brasil. Continuo a cantar na banda jazz aos fins-de-semana, no bar colado á praia. Comprei uma casa linda, fresca no verão e aconchegante no Inverno (que não se sente como aí). Já não vivo sozinha. Estou grávida. Vai-se chamar framboise, como eu chamava á minha irmã aos 19 anos. Faço chapéus de palha á tarde para oferecer aos miúdos de rabo ao léu. A ‘boise também vai crescer assim.. ao vento. Ás vezes lembro-me de como foi ter a idade deles.. e tenho medo de não ser tão boa mãe como queria. Leio bastante, cá.. os dias passam bem. As saudades apertam, de vez em quando, mas sei-vos sempre perto.
Ele: abri um bar, sabes? Entre a casa e o Vasco da gama. Agora vivo em telheiras. Mas o bar correu bem.. é um pub fixe, pa!
(ele explica: acho que era bom pra eles.. eu sempre quis ter um irmão da minha idade, e como pai deve ser giro ter uma filha.. mas pra não ter de me preocupar muito com ela, tenho os dois mais velhos para fazer isso).
(ela explica: não sei bem.. de repente vi-me lá. Solzinho, pouca roupa, verão quase todo o ano. Gente porreira e conversadora.)
(ela acrescenta: ..eu ia ser bem tratada lá.)
(tinha 29 anos, ela. e ele? Já uns 40? 50?)

E fizemo nos á estrada. Festival de musicas do mundo, em sines. Esquecemo-nos mais ou menos de tudo o que precisávamos para sobreviver lá, mas sempre nos desenrascámos bem.
Vimos altos concertos, fomos á praia para ganhar uma corzinha apetitosa, de quem gosta mesmo é de férias, contámos tostões, conhecemos o tim, o filho-da-terra, reencontrei o pascal (mohamed! Mohamed! Mohamed!), conhecemos o tio Vasco que nos tirou fotografias para que ficássemos para a história (pelo menos para a nossa), conheci o Zé, e o mouro, e o garhan. Nós éramos as de sempre. Eu, as Inêzes Melo, a Joana, a Rita, e a Maria. Atingimos o equilíbrio.



Andanças (e o coração aperta-se-me, de quente).
No andanças sou quem mais gosto de ser. Sou sem tempo, com cor e passinhos de dança, com gente porreira e sem idade. Sem barreiras e com cheiros e sabores de todos os cantos do mundo, que cabem todos no meu. Começando pelos dites e companhia limitada, passando pelo gilles (de quem gosto tanto, tanto, tanto!) e pela marion e pelo rephael, e pelo silvan, e pela porta da igreja que se tornou mais nossa casa do que qualquer tenda, e pelas noites intermináveis e horas de sono poucas, que tornaram aqueles 10 dias num enorme.
Dormimos bem na primeira noite (em que ainda não há nada de especial a acontecer), e depois disso, estamos prontas para o que der e vier. Começamos a dançar depois do jantar, e paramos no dia a seguir, lá pró meio-dia, hora a que dormimos a sesta. Ás três, estamos normalmente acordadas (que mais não seja por causa das gaitas de foles que não deixam dormir quem gosta da noite) e a precisar de comer e de uma coca cola. durante a tarde vadiamos e conhecemos caras e corações. vamos acordando e multiplicando as forças que sobraram, jantamos, começamos a dançar depois do jantar, e paramos no dia a seguir, lá pró meio-dia..
Não faria sentido contar-vos das madrugadas em que éramos uma aldeia, e o corpo tinha energia interminável, e tudo fazia todo o sentido do mundo. Não faria sentido contar-vos das viagens que fiz, de olhos fechados, enquanto rodopiava com um par de olhos que não os meus. Não faria sentido contar-vos o que sinto quando 4 pés, e 4 mãos, e 2 ancas, e 4 joelhos, e 4 olhos, se juntam para formar um par de dança. Não faria sentido contar-vos do Vicente que dançava enquanto tocava incrivelmente ao meu gosto, nem do mambo, nem do pietro, nem da bourré perfeita com o raphael, thomas, silvan e gilles, nem dos chuveiros de água quente, nem dos xixis atrás dos palcos, nem das jam’s, nem da música da pica, nem das primaveras, nem das promessas que fizemos naturalmente uns aos outros sem abrirmos sequer a boca, nem das horas de trabalho, nem do le bistrot tocado pela rapariguinha ao acordeon, nem do silvan a cantar como um louco, de voz rouca e quente, nem de quanto crescemos para todos os lados só com aquele ar e aquela gente. Não faria sentido contar-vos, porque não o sentem se não o viverem.

Daí para a culatra, com a mãe e as inezes. De mil a cem, fomos obrigadas a voltar a (as)sentar os pés no chão. Foram dias bons, para fazermos digestão de tudo o que vimos na semana anterior, para a mãe e a Inês se descobrirem finalmente, para irmos á praia a sério, para pormos conversas e escritas e leituras em dia, para comer bem, para reencontrarmos a Joana, a patrícia e a Leonor, para aproveitarmos o terraço, o acordeon, e a vontade de voltar. Tivemos baloiços, baratas e boa música, velhos por todo o lado e jovens sem grande interesse e em reduzido número, tivemos um copo de vinho doce do porto, tivemos bilhar, tive novo corte de cabelo para começar vida nova, e tivemo nos umas ás outras.

Quinta-feira, Julho 19

15 de julho


999 lugares. casa cheia. teatro-circo.


lost myself on a cool damp night
I gave myself in that misty light
Was hypnotized by a strange delight
Under a lilac tree

I made wine from the lilac tree
Put my heart in its recipe
It makes me see what I want to see
And be what I want to be

When I think more than I want to think
Do things I never should do
I drink much more that I ought to drink
Because it brings me back you

Lilac wine is sweet and heady,
Like my love
Lilac wine, I feel unsteady,
Like my love

Listen to me, I cannot see clearly
Isnt that she, coming to me
Nearly here

Lilac wine is sweet and heady,
Wheres my love
Lilac wine, I feel unsteady,
Wheres my love

Listen to me, why is everything so hazy
Isnt that she, or am I just going crazy, dear

Lilac wine, I feel unready for my love
Feel unready, for my love.

Terça-feira, Julho 3

3 ás 3.

hoje canto por todo o ano.
hoje canto por todo o canto.

faça o que quiser
viva o que vier
seja onde estiver
faça o que puder
viva como der
sinta o que vier
seja o que quiser
faça o que fizer
pegue o que puder
viva onde estiver
seja como for, amor


e depois disso, entro de férias.
(com o pé direito, no matter what)

Quarta-feira, Junho 6

até aos 70


Gosto muito de te ver Leãozinho
Caminhando sob o sol
Gosto muito de você Leãozinho
Para desentristecer Leãozinho
O meu coração tão só
Basta eu encontrar você no caminho

Um filhote de leão, raio da manhã
Arrastando o meu olhar como um ímã
O meu coração é o sol pai de toda a cor
Quando ele lhe doura a pele ao léu

Gosto de te ver ao sol, Leãozinho
E de te ver entrar no mar
Tua bele, tua luz, tua juba
Gosto de ficar ao sol, Leãozinho
De molhar minha juba
De estar perto de você e entrar numa

Sexta-feira, Junho 1

diz-a-nove morangos, um em cada dedo.


Le trois septembre 1973, à dix-huit heures, vingt-huit minutes et trente-deux secondes, une mouche bleue de la famille des califoridé, capable de produire 14 670 battements d’aile à la minute, se posait rue saint-vincent á montmartre..
à la meme seconde, à la terrasse d’un restaurant, à deux pas du moulin de la galette, le vent s’engouffrait comme par magie sous un nappe, faisant danser les verres, sans que personne ne s’en aperçoive..
Au même instant, au cinquième étage du 28 de l’avenue trudaine dans le IXe arrondissement, eugène colère, de retour de l’enterrement de son meilleur ami amile maginau, en effaçait le nom de son carnet d’adresses.. toujours à la même seconde, un spermatozoïde pourvu d’un chromosome X, appartenent á M. Raphaël Poulain, se détachait du peloton pour atteindre un ovule appartenant á Mme Poulain, née Amandine Fouet. Neuf mois plus tard, naissait.. Amelie Poulain.




Le premier juin mil neuf cent soixantequatorze á vingt-deux heures est née 16 avenue de Girandin Amélie, du sexe feminine, de Raphaël Eungène gaston POULAIN, médicin, né le dix huit avril dix neuf cent quarante deux à Eaubonne (Val d’Oise) et d’Amandine Mauricette Fouet, institutrice, née le Gueugnon (Saône et Loire).



..e muda o compasso.

Quinta-feira, Maio 31

a um passo da mudança de compasso.

Sexta-feira, Maio 11

rompeu.


o meu tímpano rompeu.

Quinta-feira, Maio 3

post escriptum

www.cravadonocarmo.pt.vu

Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
E inda guardo, renitente
Um velho cravo para mim

Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente
Nalgum canto do jardim

Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar

Canta a primavera, pá
Cá estou carente
Manda novamente
Algum cheirinho de alecrim

chico buarque

25 de abril-em-flor?


É meu e vosso este fado
Destino que nos amarra
Por mais que seja negado
Às cordas de uma guitarra

Sempre que se ouve o gemido
De uma guitarra a cantar
Fica-se logo perdido
Com vontade de chorar

Ó gente da minha terra
Agora é que eu percebi
Esta tristeza que trago
Foi de vós que recebi

E pareceria ternura
Se eu me deixasse embalar
Era maior a amargura
Menos triste o meu cantar

Ó gente da minha terra
Agora é que eu percebi
Esta tristeza que trago
Foi de vós que recebi



para vocês, capitães de abril.

Segunda-feira, Março 19

tom waits, closing time

Ao som de tom waits (bom mimo) apetece me voltar a pegar onde deixei.
Já nao escrevia há tempo de mais.
O mundo continua a girar rápido de mais, e agora é importante de mais nao deixar que ele gire sem que eu lhe tome as rédeas. Continuo sem saber ao certo o que (raio) quero ser quando for grande, até porque acho que mesmo depois das decisões que se aproximam, estou destinada a acabar no outro canto do mundo a fazer qualquer coisa que ainda não descobri. (será que vou mesmo acabar no brasil, a namoriscar e a fazer chapéus de palha, até decidir voltar e retomar as pontas cá?)
Até lá, está na hora-de-crescer. (não está?)
Não deixo de ver coisas que não quero deixar de fazer, mas agora está na hora de decidir. (pff.. como detesto decisões a longo prazo..)
E no fundo, o que me enerva, é não poder escolher ter um fabuloso destino d’amelie poulain.

Sexta-feira, Janeiro 19

para nós, que perdemos o juizo

Ele vinte anos, e ela dezoito
E há cinco dias sem trocarem palavra
Lembrando as zangas que um só beijo curava
E esta história começa no instante
Em que o homem empurra a porta pesada
E entra no quarto onde a mulher esta deitada
A dormir de um sono ligeiro

E no quarto, às cegas,
O escuro abraça-o como que a um companheiro
Que se conhece pelo tocar e pelo o cheiro
E é o ruído que o chão faz que lhe traz
O gosto ao quarto depois de uma ruptura
Faz-lhe sentir que entre os dois algo ainda dura
Dos dias em que um beijo bastava

E agora, da cama
Vem uma voz que diz sussurrando: És tu?
E a luz acende-se sobre um braço nu
E a mulher pergunta: A que vens agora?
É que não sei se reparaste na hora
Deixa dormir quem quer dormir, vai-te embora
Amanhã tenho de ir trabalhar

Não fales, que o bebé ainda acorda
Não grites, que o vizinho ainda acorda
E não me olhes, que o amor ainda acorda
Deixa-o dormir, o nosso amor, um bocadinho mais
Deixa-o dormir, que viveu dias tão brutais

E o homem de pé
Parece um rapazinho a ver se compreende
E grita e diz que ele também não se vende
E que quer a paz mas de outra maneira
E nem que essa noite fosse a derradeira
Veio afirmar quer ela ou não queira
Que os dois ainda têm muito a aprender

Se temos…! Diz ela
Mas o problema não é só de aprender
É saber a partir daí que fazer
E o homem diz: Que queres que responda?
Não estamos no mesmo comprimento de onda…
Tu a mandares-me esse sorriso à Gioconda
E eu com ar de filme americano

Somos tão novos, diz o homem
E agora é a vez de a mulher se impacientar
Essa frase já começa a tresandar
É que não é só uma questão de idade
O amor não é o bilhete de identidade
É eu ou tu, seja quem for, ter vontade
De mudar e deixar mudar

Não fales que o bebé ainda acorda
Não grites, que o vizinho ainda acorda
E não me olhes que o amor ainda acorda
Deixa-o dormir, o nosso amor, um bocadinho mais
Deixa-o dormir, que viveu dias tão brutais

E assim se ouviu
Pela noite fora os dois amantes falar
E o que não vi só tive que imaginar
É preciso explicar que sou eu o vizinho
E à noite vivo neste quarto sozinho
Corpo cansado e cabeça em desalinho
E o prédio inteiro nos meus ouvidos

Veio a manha e diziam
Telefona ao teu patrão, diz que hoje não vais
Que viveste assim uns dias tão brutais
E que precisas de convalescença
Sei lá, inventa qualquer coisa, uma doença
Mete um atestado ou pede licença
Sem prazo nem vencimento, se preciso for

Vá fala, que o bebé já esta acordado
O vizinho deve estar já acordado
E o amor, pronto, também está acordado
Mas tem cuidado, trata-o bem
Muito bem, de mansinho
Que ainda agora vai pisar outro caminho.

meu, sérgio godinho

Segunda-feira, Novembro 27

valsinha

Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a dum jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto convidou-a pra rodar

Então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços com há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça foram para a praça e começaram a se abraçar

E ali dançaram tanta dança que a vizinhanca toda despertou;
E foi tanta felicidade que toda cidade enfim se iluminou;
E foram tantos beijos loucos
Tantos gritos roucos como não se ouvia mais...
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu
Em paz

Domingo, Outubro 1

26 de setembro



I'm broke but I'm happy
I'm poor but I'm kind
I'm short but I'm healthy, yeah
I'm high but I'm grounded
I'm sane but I'm overwhelmed
I'm lost but I'm hopeful baby
What it all comes down to
Is that everything's gonna be fine fine fine
I've got one hand in my pocket
And the other one is giving a high five
I feel drunk but I'm sober
I'm young and I'm underpaid
I'm tired but I'm working, yeah
I care but I'm restless
I'm here but I'm really gone
I'm wrong and I'm sorry baby

What it all comes down to
Is that everything's gonna be quite alright
I've got one hand in my pocket
And the other one is flicking a cigarette
And what it all comes down to
Is that I haven't got it all figured out just yet
I've got one hand in my pocket
And the other one is giving the peace sign
I'm free but I'm focused
I'm green but I'm wise
I'm hard but I'm friendly baby
I'm sad but I'm laughing
I'm brave but I'm chickenshit
I'm sick but I'm pretty baby

And what it all boils down to
Is that no one's really got it figured out just yet
I've got one hand in my pocket
And the other one is playing the piano
And what it all comes down to my friends
Is that everything's just fine fine fine
I've got one hand in my pocket
And the other one is hailing a taxi cab

alanis morissette



embora não tenha estado, sinto que fui.
sinto nia.

Sexta-feira, Setembro 29

spoon


Finalmente.
Não posso deixar de falar no fim de aulas que tornou possível, tão mágico e necessário o princípio de férias.
Toda a gente fala dos exames como um monstro de 7 cabeças (menos a rosinha, que diz que se estiveres preparada se passam bem). com a ajuda dos cidadãos (habitantes fiéis do Cidade do Porto), acabei por torna-los num monstro suportável, ás bolinhas amarelas. falo das idas á casas-de-banho, de enfardar Mcdonald’s, da caderneta do monopólio, da segunda caderneta do monopólio, dos "elinganoss".. do quarteto maravilha que fomos.

fugi para lisboa, como sempre fujo, e de lá para o acampamento.
Não será possivel descrever como foi ou o que foi, mas acabou por não ser tanto um acampamento de grandes debates e mais um acampamento de noites longas. Descobrimos a utilidade duma jangada (cabe sempre mais um) e que a amendoa amarga sabe áqueles docinhos, que são umas frutas ou vegetais cheios de corantes coloridos que não têm nome. Ah, e descobri que o vento sopra forte e diferente em cada um dos que se aventuram na jangada, e a jeitosa da amnésia.

Depois de um dia inteiro em viagem e de uma enchaqueca insuportável, cheguei a porto seguro. Não tinha grandes espectativas, confesso, e talvez por isso (porque “um dia, quando menos esperares..”) o andanças foi genial.
Desde a relva, a que nos apegámos demasiado e que foi palco de tudo e mais alguma coisa, até aos próprios palcos em que tudo dança, mesmo que parado. É incrível.. é incrível.
É um lugar de todos e para todos, com cheiro a utopia.
Descobri o francês que não se aprende nas escolas, descobri a concertina, descobri o didi, o baltazar, o paquito, o pascal, o davida, o aurélien, o desdentado, o da barbicha, o cego, o boris, (Ah!) o gremlin, o violinista mais docinho, as moscas na boca, o acordeonista a nascer do acordeão, o nascer do sol, o sonambulismo, a falta de banho.
Este ano não vi sound sound checks nem ouvi feed baah’s nos relvados desertos com a sintonia, mas em contra partida fui da limpeza e manutenção, conheci o gil-big-boss, as beterrabas, recebi dois pássaros de cores e sons voadores, dancei uma mazurka cor-de-laranja atrás da e fiquei com uma sombra grande e ás riscas verdes e brancas, rebolei no relvado do cemitério, comi bifanas, dormi quentinha.
Volta de 180º na cabeça.

Depois de treinar o francês, resolvemos investir no inglês, não menos bom, mas não tao glamouroso. Vinhamos da dinamarca, cortei o cabelo, cortaram os cabelos e vieram buscar as donzelas, fui á galé e comi maravilhosamente bem, voltei para sines, mães, mistiques toasts, rico (o dino de sines), voltámos a ter idade para o jogo do copo, “ponto de encontro”, sunbrella.

Queimada de sempre, este ano, e pela primeira vez, sem o luís.
Juntámos o pessoal e enchemos a casa. Estivemos a reparar, eu e os de sempre, na evolução de queimada. A cada ano associamos mais uma descoberta da tecnologia ou da adolescência, como queiram.
Andámos á boleia. Quem nunca ouviu a carrinha da family frost? (uma pergunta como outra qualquer.. assim também eu!) mas.. quem é que já apanhou boleia com uma? (ahh.. Agora já não vejo os dedinhos no ar..) e com uma carrinha que anuncia touradas, e com 5 labregos e um desvio? “no way!”

Outra evoluçao que não pudemos deixar de reparar foi no sistema de rega de casa do quim.. e na jovialidade com que o usam. Faaantástico.
Para quem não conhece queimada, vê se de tudo por lá, desde que se procure.
Os cheerios fizeram sucesso, a rita partiu um dente, jogámos pocker, jogámos pocker, arranjámos chapéus em número certo e cabeças para cada um deles, fizemos moche de calças pelos tornozelos, fizeram sessões fotográficas na casa de banho, jogámos pocker.

passagem por lisboa. compramos cada uma (das duas) uma máquina de escrever por 5 euros na feira da ladra.
não pude deixar de ir buscar em mãos a encomenda que vinha dos açores de guitarra as costas e de ganhar a tarde a rodar em histórias.

Não parar, não parar, não parar.. avante.
Avante foi nem parar para comer. Saint-claire para o improviso, muito improviso.
Havia dois tipos de pessoas com quem nos cruzavamos, e é esse o ponto essencial do avante: as que já conhecemos, e as que vamos conhecer.
A partir dai, se forem 3 pessoas, devem estar sempre pela mesma ordem, independentemente do sítio em que se encontram para que sejam distinguidas á distancia, independentemente do sítio em que se encontram. Inês, teresa, inês. Inês, teresa, inês.
Escorremos o sumo do cartaz (de volta ao francês, o contacto com os irlandeses (?), as raízes de sergio godinho, e um cheirinho daqui ou dali), e fomos sangria com a carvalhesa. Li no outro dia, num jornaleco que falava do avante, a opinião de um jornalista russo sobre o avante. Como não podia deixar de ser, falava no fenómeno que é a carvalhesa.
Ao sinal dos primeiros bombos tudo corre, quer saiba para onde e porquê, quer não. A partir daí, carvalhesa é o que quiseres, passando pelas flautas, rodeado de gente que pareces conhecer desde sempre, ficando te pelo rufar dos tambores, parado ou aos saltos, sem perder a parte calma em que paras e deixas crescer e crescer e crescer até rebentar novamente, agora em flor, quer estejas descalço, passando pelo acordeão e as castanholas a galope, quer apanhes com latas de cerveja na cabeça, quer chores porque sim, ou mesmo quer não. É mesmo o que tu quiseres. garanto-te que não é boato.
prometemos não parar.

claro que voltar custa.




this is the end, my only friend, the end.

Domingo, Julho 23

até já.

Sentou-se na cama, de mochila as costas, e sentiu em si o fim ou o começo. Pulsava. Tudo nela pulsava a compasso ternário. A música começou nela, e por momentos sentiu-se amelie. Até o cheiro a verão lhe parecia agora mais intenso do que nunca..
Sentada, com os sapatinhos pretos que já não usava há algum tempo, sentiu um arrepio nas costas, e um leve tremer nas pernas.
Levantou-se, e de mochila ás costas, sentindo em si o fim ou o começo, saiu porta fora, para fazer o verão chegar.

Terça-feira, Julho 18

quero férias..

Days like this, I don't know what to do with myself
All day and all night
I wander the halls along the walls and under my breath
I say to myself
I need fuel to take flight

And there's too much going on
But it's calm under the waves, in the blue of my oblivion
Under the waves in the blue of my oblivion

Is that why they call me a sullen girl, sullen girl
They don't know I used to sail the deep and tranquil sea
But he washed me shore and he took my pearl
And left an empty shell of me

And there's too much going on
But it's calm under the waves in the blue of my oblivion
Under the waves in the blue of my oblivion
Under the waves in the blue of my oblivion
It's calm under the waves in the blue of my oblivion
fiona apple, tidal

Sábado, Junho 3

1 de junho

"A Ana quer
nunca ter saído
da barriga da mãe.
cá fora está-se bem,
mas na barriga da mãe
era divertido
o coração ali á mão,
os pulmões ali ao pé,
ver como a mãe é
do lado que não se vê.
O que a Ana mais quer ser,
quando for grande e crescer,
é ser outra vez pequena.
Não ter nada que fazer
se não ser pequena e crescer
de vez em quando nascer
e voltar a desnascer
a Ana quer..."

Domingo, Maio 28

inês pequena, hoje grande


hoje a minha inês faz anos, e são 18.
ao som de la noyée danço uma valsinha antiga, e por momentos estou onde devia estar.
voo.

Quinta-feira, Maio 25



quando faço cocegas ao meu pai ele ri até chorar, com os olhos papudos.
hoje faz 20000 dias.

Quarta-feira, Maio 10

Ítaca


Quando começares a tua viagem para Ítaca,
reza para que o caminho seja longo,
cheio de aventura e de conhecimento.
Não temas monstros como os Ciclopes ou o zangado Poseidon:
Nunca os encontrarás no teu caminho
enquanto mantiveres o teu espírito elevado,
enquanto uma rara excitação agitar o teu espírito e o teu corpo.
Nunca encontrarás os Ciclopes ou outros monstros
a não ser que os tragas contigo dentro da tua alma,
a não ser que a tua alma os crie em frente a ti.

Deseja que o caminho seja bem longo
para que haja muitas manhãs de verão em que,
com quanto prazer, com tanta alegria,
entres em portos que vês pela primeira vez;
Para que possas parar em postos de comércio fenícios
para comprar coisas finas, madrepérola, coral e âmbar,
e perfumes sensuais de todos os tipos -
tantos quantos puderes encontrar;
e para que possas visitar muitas cidades egípcias
e aprender e continuar sempre a aprender com os seus escolares.

Tem sempre Ítaca na tua mente.
Chegar lá é o teu destino.
Mas não te apresses absolutamente nada na tua viagem.
Será melhor que ela dure muitos anos
para que sejas velho quando chegares à ilha,
rico com tudo o que encontraste no caminho,
sem esperares que Ítaca te traga riquezas.

Ítaca deu-te a tua bela viagem.
Sem ela não terias sequer partido.
Não tem mais nada a dar-te.

E, sábio como te terás tornado,
tão cheio de sabedoria e experiência,
já terás percebido, à chegada, o que significa uma Ítaca.

Konstantínos Kaváfis

Terça-feira, Maio 9

longe

"eu só queria dançar contigo
sem corpo visivel.
dançar como amigo
se fosse possivel..
dois pares de sapatos
levantando o pó
dançar como amigo só.."

Domingo, Abril 30

Som do S

SOS
Se estamos sós
S aos ésses
S em esse
S em sabão
S em estrada
S serpente
Sibilina
Do deserto
Ondulante.
O que gosto mais
É do S de Azeitão,
Biscoito
Doce
Que me aquece.

rosinha, há 10 anos atrás.

Quinta-feira, Abril 27

antes de pensar estavas de volta



"És a estrela da alvorada e a madrugada junto ao cais
És tudo o que eu vejo em ti, és a alegria e muito mais
És a erva perfumada, debruada a girassóis
O trago do café quente nas manhãs entre lençóis
És o encontro na estrada, és a montanha e o pôr do sol
O vinho bebido em festa, és a papoila e o rouxinol
És a minha maçã de Junho e a minha noite de Verão
Anda, vem comigo, vamos, dá-me a tua mão
Anda, vem comigo, vamos, dá-me a tua mão"

"Entre por essa porta agora
E diga que me adora
Você tem meia hora
Pra mudar a minha vida
Vem, v'ambora
Que o que você demora
É o que o tempo leva
Ainda tem o seu perfume pela casa
Ainda tem você na sala
Porque meu coração dispara
Quando tem o seu cheiro
Dentro de um livro
Dentro da noite veloz"


pensei que fossemos a preto e branco e encheste-me de cores.
pensei que o 25 de abril não tivesse passado por mim e afinal estava atrasado.
chorei que nem uma madalena, e finalmente a primavera chegou.
pensei e.. shall we dance?
pensei que pudesse voar para sempre, mas acabou a música. e foi aí que me apercebi de que não era o fim, era só um novo princípio.
e se todo o mundo é composto de mudança, troquemos-lhe as voltas qu'inda o dia é uma criança.
fui ao quintal, e cheirou-me a jasmim.
sou a tua gaivota, pensei.


É bom saber que es parte de mim
Assim como es parte das manhas.
Melhor, melhor é poder gozar
Da paz, da paz que trazes aqui.

Eu canto, eu canto
Por poder te ver
No céu, no céu
Como um balão
Eu canto e sei que também me vês
Aqui, aqui com essa canção


pensei, logo existes

Terça-feira, Abril 25

cravos de trapos

Terça-feira, Abril 18

vale um post

conto histórias de tempos-livres depois de provar o recomeço.
não as deixo por contar.
prometo.

Segunda-feira, Abril 17

frida. frida kahlo.


"pensaram que eu era surrealista, mas nunca fui. nunca pintei sonhos, so pintei a minha própria realidade" "abortei num abrir e fechar de olhos."
"a mim já não me resta a menor esperança.. tudo se move ao compasso do que encerra a pança." "creio que o melhor é partir, ir me e nao fugir. que tudo acabe num instante. oxala."

ferida, mas forte, perdida em quadros e biografias de uma exposição.

Quarta-feira, Abril 5

Bairro do Amor


"No bairro do amor a vida é um carrossel
Onde há sempre lugar para mais alguém
O bairro do amor foi feito a lápis de côr
Por gente que sofreu por não ter ninguém

No bairro do amor o tempo morre devagar
Num cachimbo a rodar de mão em mão
No bairro do amor há quem pergunte a sorrir:
Será que ainda cá estamos no fim do Verão?

Eh, pá, deixa-me abrir contigo
Desabafar contigo
Falar-te da minha solidão
Ah, é bom sorrir um pouco
Descontrair-me um pouco
Eu sei que tu compreendes bem

No bairro do amor a vida corre sempre igual
De café em café, de bar em bar
No bairro do amor o Sol parece maior
E há ondas de ternura em cada olhar

O bairro do amor é uma zona marginal
Onde não há hotéis nem hospitais
No bairro do amor cada um tem que tratar
Das suas nódoas negras sentimentais

Eh, pá, deixa-me abrir contigo
Desabafar contigo
Falar-te da minha solidão
Ah, é bom sorrir um pouco
Descontrair-me um pouco
Eu sei que tu compreendes bem"

meu Jorge Palma

tempo

Esta semana senti os efeitos do tempo a passar em mim e no que me rodeia.
Pena te-lo visto crescer grande e feio.

Quarta-feira, Março 29

Theia

"Theia é o nome dado ao planeta que, de acordo com a teoria do Big Splash, colidiu com a Terra num impacto que deu origem à Lua. Segundo esta hipótese, Theia formou-se por acrecção planetária dentro da mesma órbita da Terra, mas a 150 milhões de quilómetros, no ponto lagrangiano L4. Theia permaneceu fixa nesta posição em harmonia com a Terra durante cerca de 20 a 30 milhões de anos. No entanto, à medida que o planeta crescia, as suas forças gravitacionais impeliam Theia para fora de L4. Durante algum tempo o planeta descreveu uma órbita cíclica em ferradura, saíndo de L4, mas logo puxado para trás pela força de Coriolis. A cada novo ciclo, Theia ganhava mais velocidade e alcançava uma distância maior de L4. Finalmente, já depois de ter desenvolvido estratificação interna, Theia adquiriu massa e dimensão semelhante a Marte, suficiente para escapar de L4 e entrou numa órbita caótica. A colisão com a Terra tornou-se inevitável, visto que ambos os planetas ocupavam a mesma órbita. Quando Theia chocou com a Terra a uma velocidade de 40,000 quilómetros por hora, o impacto foi suficiente para vaporizar o planeta. Parte substancial do seu núcleo ferroso afundou na Terra e integrou o núcleo terrestre. O restante material foi projectado para o espaço. A acrecção dos destroços deu origem à Lua."

Segunda-feira, Março 20

hábitos


a pedido da minha parcídia catrela andei a pensar nos meus cinco hábitos estranhos. aquilo que ao princípio me parecia bastante fácil tornou-se meu companheiro de caminhadas de aqui para ali, em tentativas de levantar do chão os pés que têm de estar acentes.
habitos estranhos.. começamos á procura deles e, no fundo, há sempre alguém que tem o mesmo hábito. há sempre alguém estranho como nós. nunca somos estranhos sozinhos.
o que encontrei foram hábitos meus que vejo em pouca gente. são hábitos que me fazem ver reflectida em pouca gente.

hábito primeiro:
Fecho as janelas no messenger sempre que digo alguma coisa..

hábito segundo:
Sempre que ligo a televisão, seja o que for que esteja a dar e mesmo que esteja a
meio, desligo do mundo.

hábito terceiro:
Como massas chinesas com picante cruas.

hábito quarto:
Contraio o olho esquerdo, que parece que cegou.

hábito quinto:
Tomo sempre banho de imersão.

acabamos por não nos sentir tão estranhos como queriamos.. queriamos?
acabamos por ser bastante parecidos, na nossa maneira de ser estranhos.

Sábado, Março 18

á espera do fim

Vou andando por ai sobrevivendo a bebedeira e ao comprimido
Vou dizendo sim a engrenagem e ando muito deprimido
E é difícil encontrar quem não esteja
quando o sistema nos consome e abeja
Trincamos sempre o caroço mas já não saboreamos a cereja

Já ouve tempo em que eu tinha tudo não tendo quase nada
Quando dormia ao relento ouvindo o vento a beijar a geada
Fazia meu manjar com pão e uva
fazia o meu caminho ao sol e a chuva
A encontro da mão miúda que me acentava como uma luva

Se ainda me queres vender se ainda me queres denunciar
Isso já pouco me interessa, perdemos o gozo de viver
Eu a obedecer e tu a mandar os dois na mesma triste peça
Os dois a espera do fim

Tu tens fortuna e eu não podes comer salmão e eu só peixe miúdo
Mas temos em comum o facto
de ambos vermos a vida por um canudo
Invertemos a ordem dos factores
pusemos números a frente de amores
E vemos sempre a preto e branco programas que afinal é a cores

Se ainda me queres vender se ainda me queres denunciar
Isso já pouco me interessa, perdemos o gozo de viver
Eu a obedecer e tu a mandar os dois na mesma triste peça
Os dois a espera do fim