Terça-feira, Maio 15

perto do mar

o corpo sabe. o corpo não esqueceu ainda a direcção do sol: fará casa perto do mar, fiel ao quase adolescente coração da água. as mãos acesas - altas, altas.

Domingo, Março 11

la musique

entend-elle le silence des sourds?

Sexta-feira, Março 9

Dear Teia

I am pleased to confirm that you will soon be sent paperwork from the Guildhall School confirming your offer of a place on the MMus Leadership programme, commencing in September 2012.

Please do go ahead with your pursuit of possible scholarship opportunities in Portugal.

With best wishes,
Jose Martins

Quinta-feira, Fevereiro 9

é agora

vou-me embora, vou partir
mas tenho esperança.


os aventais não têm fim:
levo tudo ao colo,
levo o canto ao peito,
e no riso os vossos braços.

obrigada,
nada disto tem preço.
vou-lhes mostrar a cor.

Domingo, Janeiro 22

eu não quero

ser o burro da nora
que anda à roda
e fica tonto
e continua
a andar à roda.

Quarta-feira, Janeiro 18

fun-da-men-te.

Todo dia o sol levanta
E a gente canta
Ao sol de todo dia

Fim da tarde a terra cora
E a gente chora
Porque finda a tarde

Quando a noite a lua mansa
E a gente dança
Venerando a noite

Madrugada, céu de estrelas
E a gente dorme
sonhando com elas.

Segunda-feira, Dezembro 12

agora

e agora eu vou-me embora
e embora a dor
não queira ir já embora
agora eu vou-me embora
e parto sem dor

e parto dentro de momentos
apesar de haver momentos
em que dentro a dor
não parte sem dor


(eu e o godinho,
a caminho.)

Sexta-feira, Dezembro 9

ils disent

il y a quelqu'un qui veut découvrir
où dort la memoire du poisson-rouge.

Terça-feira, Dezembro 6

lueur



lumiere qui n'a pas d'éclat,
qui a une grande intensité,
mais qui est durable;

lumière qui apparaît
soudainement
mais qui est éphémere;

éclat vite et passager,
qui amnifeste un sentiment,
une émotion;

ce qui rend
clair,
ce qui permet la comprehension;

connaissance,
noticion.

Quarta-feira, Novembro 9

cabeça no ar

há dias lentos como eles próprios.


não é o fim do mundo,
é só um bocadinho (de en)tarde(cer).

Sábado, Novembro 5

encore dans mes yeux


c'est quoi ça, un chaud-automnal?

Quinta-feira, Outubro 13

nom'inqwando yes qxag iqwahasa

Laissez moi ce repère:
Etre né quelque part
c'est partir quand on veut,
Revenir quand on part.

Maxime Le Forestier

Quinta-feira, Setembro 15

sussurros


este caminho também é meu.

Quarta-feira, Setembro 7

faz bem


ver luz em tudo o que mexe,
vida em tudo o que posso.

Sábado, Agosto 13

e pur si muove


là, au but du monde

ainda tenho os olhos là, onde aliàs deixei o peito a corar.
so' faltava eu para sermos todos.
as minhas janelas nascerem viradas para onde nasce o sol,
com vontade de ser rio.

"estas letras doem, é tanta candura que doi"
é a candura delas que canto.
este verao planto uma àrvore do meu tamanho:
até la' dou dou dou, guardo quase tudo.

Sexta-feira, Julho 29

compromisso:



primera persona del singular
del presente de indicativo
del verbo comprar miso.

Terça-feira, Julho 19

aqui despi meu vestido de exílios
e sacudi de meus passos
a poeira do desencontro

sophia

Sábado, Julho 16

cama: a canção do chá.


da ana, uma aldeia viva

Sexta-feira, Julho 8

segredos do pote

há um cantinho muito cantinho onde eu não chego:
quando dou por mim, já estou a levar com ele na nuca.

Segunda-feira, Julho 4

a tia tinica


‎"La solitude n'est pas l'isolement.
On est toujours deux en un.
Il y a les autres en soi."
Godard

o tempo

.
















é um momento do tempo
- passa num instante.

Klee, Paulo Tunhas

Domingo, Julho 3

o viajante

Está acima das nuvens, no alto da montanha mais alta. Vemo-lo de costas, imóvel e contemplativo. Na sua sóbria elegância citadina, dir-se-ia que para ali chegar mais não lhe foi preciso que atravessar tranquilamente uma avenida. Está sozinho diante dos cumes mais altos, vestido como um filho pródigo que regressasse a casa trazendo todos os estigmas de quem vem de um outro mundo. Tudo nele nos diz que não pertence àquele lugar. Terá vindo de uma cidade distante? E como poderia ter chegado ali assim, sem trazer consigo nenhum rasto da poeira dos caminhos? «Tudo é romântico desde que levado para longe», ter-nos-ia dito se verdadeiramente ali estivesse e agora olhasse para trás. Mas ele não pertence a esta paisagem, e por isso o vemos de costas, sem podermos adivinhar de que maneirao seu rosto procura enfrentar o brilho da neve, o reflexo da luz. Tão longe quanto dali está («no fundo da minha alma», diria), hão-de as montanhas parecer-lhe infinitamente maiores do que consegue vê-las, altas acima das nuvens e de qualquer comparação. Tão altas que nem subindo ao ponto mais alto ele poderia, alguma vez, deixar de ser aquele que desconhece a poeira dos caminhos - um homem que há muito desceu a viver no vale e agora regressa, sem saber como voltar na condição em que apenas poderia não ter partido.

A Porta de Duchamp, de Rosa Maria Martelo

Sábado, Julho 2

Incidir

v.i. Cair perpendicularmente ou obliquamente em ou sobre.
Sobrevir, acontecer.
V.t. Incorrer em.




coincidência: dupla incidência.

Quarta-feira, Junho 29

c'est vrai, elle arrive.

Terça-feira, Junho 28

felizmente somos duas


assim nunca estou só-zinha.

Domingo, Junho 26

el camiño, lo hacem los pies.

Terça-feira, Junho 21

pina


dance, dance..
otherwise we are lost.





Terça-feira, Junho 14

pés no chão

cabeça ao vento.

Terça-feira, Maio 24

a rua é nossa.

Podrán cortar todas las flores,
pero jamás podrán cortar la primavera.

Pablo Neruda

Sexta-feira, Maio 6

Cucurrucucú
Paloma,
Cucurrucucú
No llores:
Las piedras jamás,
Paloma
Que van a saber
De amores?

Segunda-feira, Janeiro 3

dois mil e onze

quem se quer bem,
sempre se encontra.




Segunda-feira, Dezembro 27

dentro dos muros

Na altura em que conheci o manel, pensei muito sobre estar-se preso num corpo. O facto de se estar para sempre dependente de mais mãos que as nossas abriu, no caso dele, as portas ao dar-sem-fim.

Algum tempo depois conheci a solidão, a sobrevivência e a força dos muros.
Passámos três portas fechadas á chave e sempre guardadas antes de os vermos. Eram uma mistura de histerismo e raiva animal, que formava um corredor até à porta por onde só alguns entraram ao nosso lado.
Ali davam-se apertos de mão, e aquela frieza ao mesmo tempo que me sufocava, adormecia o medo.

Foi ali, naquele ginásio de secundário com palco como o do meu e bancos de igreja a todo o comprimento, que alguns souberam os nomes uns dos outros. Ali eram o número que tinham.
Só sentia barreiras entre nós. Só sentia barreiras dentro de mim.
Éramos três mulheres no meio de homens. Os guardas eram um terço de nós. Até percebermos onde acabávamos e o que não fazia parte de nós ali, o meu corpo andou em guerra-fria. Depois disso fizemos coisas muito importantes. Já não éramos mais os mesmos.

A apresentação foi lá dentro, que de lá não saem. Os bancos encheram: dum lado o resto dos reclusos, do outro as famílias com ar desconfiado, ofendido e em dia de visita.
Só me apercebi depois que estávamos todos nervosos, mas a verdade é que foi isso que nos fez ser tanta força. Era quase tribal mas sem cores de terra nem danças da chuva. Éramos pedra, inquebráveis.
Lembro-me de olhar a toda a volta no fim: estávamos todos a rir. Alguns choravam também e outros ainda não.

“Somos reclusos, mas não estamos presos.”

Quando saíram todos, instalou-se o silêncio. Percebi que o que me separa de alguns deles é muito pouco.

Quando voltei a ver a luz do sol e a brisa fresca me bateu na cara chorei mil soluços, finalmente descontrolada. Mas só eu é que vim para casa.

história de amor: quatro pernas e duas rodas

Era a primeira vez que se viam.
Ela mal o olhava, de barriga apertada. Ele olhava fundo nos olhos de todos – e nos dela também.
Acho que a primeira vez que falaram nem abriram as bocas. O sonho dele era nadar até à Madeira – o corpo dela tremeu todo, em silêncio.
O dele não, vi os olhos dele brilharem.

Nadámos sem fim, ele fora dele e eu a leva-lo, fora de mim também. Afinal os corpos não têm fim, se a cabeça não tem muros.
Ia dizer que quase não falámos: que o corpo dele não deixava ou os meus ouvidos o desentendiam, mas a verdade é que descobri nesses dias a importância dos olhos.
À medida que me envolvia em nós e nos nossos limites, fui aprendendo a descobrir o que dizem os olhos mesmo quando não mandamos no corpo.

Nenhum de nós pensou durante todo o tempo como se pode ser preso num corpo se ele dormir numa cadeira de rodas. Na tua cabeça o mar sem fim, na minha o verde-campo, jardim.

Quarta-feira, Dezembro 15

porto: dois dedos de conversa

afinal fiquei por cá. vi o comboio partir sem mim lá dentro, e saí de ouvidos abertos aos encontros de esquinas.


primeiro encontro:
velho sorridente todo o caminho.
sai do autocarro e em tom de piropo à mulata - que está a encravar a saída desde que entrou - solta o "não saias daí que eu não quero..!"

"um gajo vê-se por aí" dizes-me à saída. segundo encontro: encontrei-me ao virar da esquina. tinha bigode.


que tarde, os meus dias andam virados ao contrário a tentar caber ainda não sei onde.
vantagens: já sei o que é a casa da horta!

Segunda-feira, Novembro 29

lisboa

aos dois anos, ao colo da avó.
olha as mamas grandes de frente e deita-lhes a mão:
- dinossauro!

não sei que idade tem, mas nunca aprendeu a assoar-se.
assoar-se: soprar ranho pelo nariz.


estrelia que brilia, irmã do meu peito.

que tipo de animal tens na cabeça?

barcelona inesperada

"ora bem, perdi o avião. o lado mau é evidente(mente mais caro), o bom ainda está para começar."

- puente contenta!
flash
- ah, qué fea.

à nossa frente o timbuktu e o paul auster e ao lado deles um kebab a comer um turco. dois passos à minha frente ela, de óculos e mochilinha só não cai porque fica pendurada nos braços - quinze passos depois, vem decobrir que sou eu quem viu tudo.
somos três e vamos sair daqui vivas.

caminho para casa:
formigas a toda a volta e ela a ouvi-las, parece. (afinal sempre consigo abrir as portas do metro!) e os trilhos nas costas desde que acordei no dia de hoje.
ele: um robbanito de couro, a cantar com o corpo, isolado de nós - todos.
ela: trintona, não sabe como se aguenta em cima de tão pouco. anda num galope arrítmico, um olho meio fechado e outro meio aberto.
surreal:
três terrissages de papel deixadas ao meu encontro.

a varanda da maria é um café de onde vejo a vida-da-rua.

Quinta-feira, Outubro 7

interlúdio

Domingo, Maio 31

de 22 a 28

foram também dias de conversas importantes. descobrimos um jardim com veados ("cá os animais são os que se vêem nos desenhos animados!" diz a rita, que viu um ouriço-cacheiro), fizemos um churrasco em grousbeek com os polacos, os dois portugueses que chegaram entretanto - o pedro e a joana, fisioterapeutas lisboetas - e alguns holandeses, e andámos em duas rodas, ele com ar de miúdo.

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fomos a amesterdão, comprar os meus sapatinhos de princesa, ver a casa da anne frank e finalmente passear sem montes de gente, longe do centro.

fomos a dordrecht, encontrar o david que o meu pai não via há 32 anos e conhecer o milionário, o bobo, a néleke e o outro porreiraço, em casa de quem dormimos.

voltámos a casa, fazer malas e tudo o mais, e despedimo-nos de uns dias bem bons e um do outro, até (quase) já.

dia 21, último dia de pabo

segui com a inês-mel de volta a nijmegen, e ela e o pchamek juntaram-se para me convencerem a ir a amesterdão.
pois que fui, dois dias depois, com a inês, o pchamek, a laura brasca e o sérgio, conhecer o cris e ocupar-lhe a casa, sair onde sai quem lá vive, passear em jardins que não conhecia, e andar imenso imenso, visto que a casa era bastante longe do centro, já fora do nosso mapa.
é um antro de turismo, mas nós andámos enroladas nele, perdidas em conversas de comadres.




voltei a tempo da entrega de certificados e do almoço de último dia de aulas juntos.
almoços em que cada um leva qualquer coisa do seu país é que está a dar.. e viva o empadão de carne picada, que se faz rapidinho e é bem gabado pelos estrángeiros.
fizemos (os três tugas, as duas italianas, os três polacos, o jaron-holandês e o rrrroaquin-espanhol) uma apresentação de 20 minutos em que gozámos com meio mundo, e vimos as 3 outras apresentações.
está tudo contente, por ter cá estado.
et moi aussi.

Sábado, Maio 30

parte III (e última) - deixo um cheirinho

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parte II - o acampamento


nós as três, o césar e os três franceses rodeados de pássaros e de vacas (que mugem mais grave que em portugal!) e os dias, cheios de calma, encheram-se de cores vivas. a casa-de-banho acabou por fazer furor, bem confortável e com vista para o verde.



churrascos, fogueirinha á noite e uma tenda para duas pessoas agarradinhas onde coubemos as três e os malões. foram dias cheios, cheios, cheios.

Sexta-feira, Maio 29

parte I

foi um longo caminho, até chegar, já de manhã, mas conheci gente nova, que se passeia pelas ruas de eindhoven e que pára para fazer companhia.


(hum hum.. também há azeiteiros em eindhoven.)

passeiei sozinha, de mapa na mão e música nos ouvidos, de costas carregadas mas com os olhos bem abertos. cheguei a uma praça gigante, tudo muito amplo, e o sol batia quentinho.
tirei os phones, e dormi duas horinhas embalada pela música do francês.
(é bom, passear sozinha.)
mas bom, bom, foi a inês, que chegou ao fim da tarde, e corremos para villeneuve d'ascq, embrulhadas uma na outra, as duas de costas carregadas mas com os olhos bem abertos, de dentolas separadas mas bem juntinhas.

o raphael é uma marioneta, e os franceses usavam todos suspensórios nas calças, subidas até acima do umbigo.
umas boinas, alguns caracóis, francês, francês, francês, a casa do olivier onde se passou o roubezbal, pés-de-dança muitos e aos pares, e a casa de cartão.




chegou a noite, e chegou a inês - sim, somos três: inês, teresa, inês.

de 10 a 13




(pas mal, hum?)

Quarta-feira, Maio 27

extra improvisado á última

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(nós as três e o pchamek, contentes da vida)

Terça-feira, Maio 19

dia 10, antes do resto

depois da nossa apresentação da música tradicional portuguesa o professor de música nunca mais nos largou. ía haver um concerto para quem quisesse tocar e cantar, e não nos deu descanso até escrevermos lá o nosso nome. á boa maneira portuguesa (e italiana também), deixámos tudo para duas horas antes do concerto. á boa maneira portuguesa (e italiana e polacas também, descobriu ela e o pchamek que acabou por se juntar a nós) correu tudo melhor do que o que estávamos á espera.


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(eu, a rita, a sarah davoli e o sérgio)



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(eu, a rita e a sarah)

de três a seis

a mãe chegou no dia certo.
coçou-me as costas, limpou-me o sal dos olhos e pôs-me quentinha outra vez.
comprámos uma bicicleta nova e fomos passear, e sobretudo, conversámos até não mais.
estava a precisar de uma cabeça de gente grande para descomplicar a minha, ainda a caminho. e estávamos as duas com muitas saudades.
fizemos um churrasco no terraço (que é o topo do prédio do lado), cozinhei muito enquanto ela ficava a ver as danças da carly, do rrrossé, da marta, da maud e da julie - quem diria que ela lhes acharia piada.. - e tirámos poucas fotografias.
mas quando ela foi embora, estávamos as duas bem contentes.

Segunda-feira, Maio 18

de vinte e três a três de abril


andámos a contar os dias (pelo menos) desde que “já só faltam quarenta e seis”.
aos poucos fui ganhando a minha vida e os meus cantos por cá, longe do meu porto.
há dias bem frios, e bem chuvosos, em que a bicicleta custa a cada pedalada, e ele chegou num deles, quando eu me tinha já esquecido do sabor dos beijos.
finalmente juntos, fizemos o sol chegar aos pouquinhos, com bom tempo e com as primeiras flores.
preparámos e demos a segunda aula aos miúdos, que se apaixonaram por ele, junto com o roelof que lhe chama serdgino. no fim da aula tocavam e dançavam o malhão.
toda a gente gosta dele. (e eu também!)


conheceu o pessoal da minha turma, fomos jantar fora, passeámos muito, mesmo sem bicicletas, tentámos arranjá-las sem sucesso, andei a tirar fotografias às 15 coisas que caracterizam a minha Holanda para mandar ao Ben (o responsável pelo gabinete internacional), fizemos uma apresentação sobre a música portuguesa e cantámos o milho verde a duas vozes, com o serginho nas congas, e apresentei o Harry, que conheci com as três papoilas tolinhas.
custou-me vê-lo naquele comboio triste, que o levou para longe.

Terça-feira, Maio 12

teaching practice

aqui sim, a educação funciona.
os meus professores são impecáveis, o meu curso é prático, e tenho uma turma com quem trabalhei, com a ajuda do Roelof, o professor dos miúdos.



eu, que sempre me achei preparada para enfrentar feras pequenas, deparei me com uma turma de 17 miúdos com entre 8 e 10 anos, bem comportadinhos e com vontade de aprender. são eles que decidem se trabalham sozinhos ou em grupo, e onde põem a sua secretária, trabalhar de pantufas dentro da sala e só o papel do professor é normalmente mais perto de guiá-los do que de lhes dizer tudo o que têm de saber e de aprender.
pequeninos, apesar de tudo, vão aprendendo mais por si, e parecem me bem mais preparados para o que estão a fazer do que o que eu estou habituada.
o que é tudo muito bonito, mas mal entrei na sala percebi o grande problema de dar aulas da Holanda e de não se saber falar holandês: os miúdos não falam nem escrevem nada que eu perceba, e vice-versa.





ora bem, e eu, que sempre me achei preparada para enfrentar feras pequenas e que, sorte a minha!, me deparei com uma turma de 17 miúdos com entre 8 e 10 anos, bem comportadinhos e com vontade de aprender, não tinha via maneira de lhes dizer seja o que fosse.
tentei falar devagarinho, ou curto, com gestos(?), mas eles fugiam de mim, em manadas de 6 e 7.

pareceu-me que a música seria a melhor maneira de nos entendermos, portanto comecei a trabalhar ritmos e o corpo feito instrumento, que descobri que eles não trabalham cá.
as pernas tremiam-me, mas as palmas eram ao tempo, e eles tinham um ar contente.
saí eu também contente, com uma ideia mais real do que podia ou não fazer com eles, e começámos a construír uma linguagem nossa, em que nos entendemos finalmente.
o roelof deixa-me tratar de tudo como eu quiser.
tem-me debaixo de olho para ver se preciso de ajuda de holandês ou de dicas de gente grande.
tem uma barriga grande e ar-a-fugir-para-avô, já disse?

Sábado, Março 21

os três mosqueteiros


de vinte e seis a três-já-de-março

já há muito tempo que não tinhamos tempo para conversas sem fim.

descobrimos um concerto de naragonia e embrun em enschede, uma cidade aqui perto.
apanhámos as três - eu, a rita e a joana - o comboio e corremos para lá de saias e botas. ainda não tinha sapatinhos.
o concertos foram altamente, encontrei montes de gente com cara de gente que conhecia, dançámos imenso, e as horas foram passando até perdermos o último comboio.

missão:
quem tem cara de ter um chão confortável e seguro para três donzelas que não sabem ver horários de comboios decentemente?

o antal - que descobrimos depois que morava em nijmegen, 4 andares abaixo do nosso - e o amigo, eram dois pseudo-metaleiros que tinham descoberto os bailes no dia anterior. estávam apaixonados por aquilo, tinham vindo re-experimentar e iam dormir a casa de um amigo que lá morava.
o jasper tinha um quarto-cozinha-sala-de-estar com varanda e uma casa-de-banho em anexo. fomos buscar um colchão a casa do irmão que vive perto dele, fizeram questão de dormir mal e porcamente no chão e no sofá onde não cabiam, para dormirmos que nem princesas, numa cama de casal, com edredon de penas e almofadas altas. acordámos com ovos estrelados e café, e voltámos com o antal para casa quando o sol estava lá alto.



foi bom para matar saudades.
a joana foi-se embora no meu primeiro dia de teaching practice, e soube a pouco.

não há nada como fazer tudo com tempo.

achámos por bem, no entanto, sentar os rabos-estoirados nos bancos da estação, enquanto nao chega o comboio.
"e se agora nos apercebessemos que já era hora e tivessemos de correr imenso? pfff.. era impossível."
pois bem, não há é nada como fazer o impossível.
o comboio arrancou, apesar dos gritos, com elas as três lá dentro a caminho de casa, sem tempo para despedidas.








deixaram as bicicletas e saudades aos molhos.

amesterdão - em casa da sofia

o tempo que demoramos a encontrar a casa, montadas nas bicicletas foi suficiente para percebermos onde estávamos.
o mundo corre muito mais rápido, as bicicletas deslizam muito mais rápido, e os trams, para quem não tem travões, deixam o coração a bater muito mais rápido.
a casa era de revista e os jantares sempre a melhorar.




"vamos para o guiness!"




dicas úteis:
as noites acabam às 2 e meia, três.
para quem tem bichos carpinteiros e/ou gosta de aproveitar a noite, a solução é conhecer gente nova e fazer a festa.

fomos a um bar onde nos arranjaram um mapa porreiro e nos encaminharam os dias, conhecemos, por acaso, o Jazz café Alto das noites da maria (com o Ali junto, que nos ofereceu uma boina e um cachecole acabadinhos de ser esquecidos), vimos o "Vicky Cristina Barcelona" do Woody Allen, conhecemos o umberto e o seu amigo pedinte mas com dedinhos que tocam beatles numa casa-barco com piano, conhecemos o terry que tomou conta de nós e que descobrimos quando voltámos quem era, quando não era nosso avôzinho - http://www.youtube.com/watch?v=GSAb4QCLZnY.

passeámos muito, sempre de bicicletas, cedemos ao clichê e fomos à coffeeshop The doors, programámos horários que não cumprimos, programámos museus onde não fomos, passeámos de barco guiadas em 4 línguas.




fui buscar a joana, que chegava de Paris, e seguimos juntas de volta a casa.



estava na hora das três marias se pirarem.